Perguntei-te
se querias ficar...
negaste-mo
Tinhas que partir.
Que Fado o meu...
não mais te ver,
não mais sentir
o calor da tua presença.
Levanto-me.
Cai, sobre a pedra fria,
a lágrima que me
escorreu pelo rosto,
arrastada pela chuva
que me esfria a pele.
Olho-te, mais uma vez...
essa tua imagem,
devorada pela intempérie
de sol e chuva e vento e
maus tratos da Natureza.
Não és tu.
É a representação,
imóvel, de ti
que me prende
às lembranças.
Torno, lentamente.
Viro as costas e miro-te,
mais uma vez
De cabeça baixa,
visto o casaco.
Olho em frente
e caminho para longe
de ti,
sim,
porque eu perguntei-te
se querias vir comigo.
E preferiste ficar.
Por isso,
deixo
flores, velas, pedras, imagens,
sonhos, pessoas, histórias e memórias
para trás.
E levo-te comigo.
(à minha prima Célia. Descansa em paz!)
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