quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Já não

Perguntei-te
se querias ficar...
negaste-mo

Tinhas que partir.

Que Fado o meu...
não mais te ver,
não mais sentir
o calor da tua presença.

Levanto-me.
Cai, sobre a pedra fria,
a lágrima que me
escorreu pelo rosto,
arrastada pela chuva
que me esfria a pele.

Olho-te, mais uma vez...
essa tua imagem,
devorada pela intempérie
de sol e chuva e vento e
maus tratos da Natureza.

Não és tu.

É a representação,
imóvel, de ti
que me prende
às lembranças.

Torno, lentamente.

Viro as costas e miro-te,
mais uma vez

De cabeça baixa,
visto o casaco.
Olho em frente
e caminho para longe
de ti,
sim,
porque eu perguntei-te
se querias vir comigo.

E preferiste ficar.



Por isso,
deixo
flores, velas, pedras, imagens,
sonhos, pessoas, histórias e memórias
para trás.

E levo-te comigo.


(à minha prima Célia. Descansa em paz!)

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