Não há Mundo,
não há flores
nem cores,
não há sonhos.
Não há esperanças,
não há guerras,
não há a vida...
há só crianças.
Há o brincar,
o fazer sem pensar...
O correr e sorrir...
há o chegar e o partir...
inconsciente, inocente...
o viver a rir!
Não há crianças...
há o sonho adulto,
há um monstro em vulto
chamado inevitável.
Há o inevitável do existir,
o inevitável de herdar...
quando não nos é possível fugir ou esconder...
quando só é certo o morrer.
Criança, vives por mim,
vives de mim
e vives em mim.
Espero ser, sempre,
a meta de um sonho que possas viver,
na paz da tua serenindade...
e na esperança da tua verdade.
sábado, 26 de março de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
Lágrimas
As lágrimas caíram,
Por ti fugiram
Uma última vez.
Os sonhos por ti tidos...
Foram vividos
Uma última vez.
O caminho percorro:
Por ti eu morro
Uma última vez.
A saudade... não está!
Mas já virá...
Uma última vez!!
2002
Fecho os olhos
Fecho os olhos, despeço-me do Mundo, da realidade e, assim, da vida… deixo-me levar, sonhando e transpondo a trémule e enevoada barreira entre a realidade e a fantasia. Relembro sonhos de criança, projectos de adulto e a indiferença da juventude. Numa confusão de cores, os sentidos desorientam-se, entre sombras, luzes e sons variados mas belos, constituindo uma melodia nostálgica que, ao transtornar-nos, nos leva para um outro Mundo, um outro lugar, racionalmente indescritível, algures na mente capacitada para a análise desta diferente forma de viver: dormindo.
Numa ambiguidade de respostas exactas, esta transposição de um universo confuso e energúmeno oferece-nos todas as chaves e combinações para abrir o infinito conjunto de portais da nossa imaginação…
Acordo, olho pela janela…”é Natal!” Ansiando por ver tudo (montras e lojas, prendas e amigos), levanto-me e corro mas, chegando à rua, desiludindo-me, entro num Mundo totalmente desconhecido: a confusão de cores, sons e luzes fazia-me lembrar o Mundo belo de onde acabara de sair e que julgava só meu, mas havia algo mais, algo que tornou aquele momento pérfido, fazendo sentir um ambiente exacerbadamente pesado, controlando cada um dos meus passos, exercendo pressão sobre mim. Não, não foi este o Mundo do meu sonho…lá era tudo tão diferente…Não, também não pode ser a realidade de que eu já me havia esquecido…!
Pois não! As luzes, sons e cores são apenas alguns pontos coincidentes, coincidências, superficiais tangências, que me revoltaram naquele preciso momento! No meu Mundo de fantasia reinava o amor, a paz… enquanto eu sonhava por o manter, não ansiando por nada mais. Neste (na realidade), como que desejando e lutando por um Mundo melhor, não conseguiria ver nada mais que esta realidade cortante e fria, impedindo-me de sonhar! No entanto tudo é mais real, palpável, tocável…
Assim, por mais que tente que se faça luz no Mundo, não o conseguirei iluminar e, relembrando-me como teria sido bom viver num Mundo de sonho que jamais me traria por outrem o desgosto e a mágoa de me apagar tão brutal e solitariamente, fecho os olhos, despeço-me do Mundo, transpondo esta vital barreira entre a vida e a morte…
... e apago a luz do meu sonho.
Gritos
Gritos de dor
e laivos de raiva silenciosa,
faminta, devoradora!
A tua voz sulca-me a carne,
em rasgos de ferida calada,
silenciada,
jogada ao fundo da garganta
num nó de revolta.
O teu olhar...
queimam-se-me as mãos
por tentar arrancá-lo de mim...
...atiro-as ao chão,
vezes e vezes sem conta,
agrido-as;
tento fazer desaparecer a dor...
e a terra solta-me a pele
que te tocou ao coração.
Debato-me e arrasto-me,
ser irascível... quase animal!
Tu, que me quiseste mal...
meu Deus...
liberta-me.
Perdoa-me.
e leva-me...
a dor, o sofrimento... e a mim!
Leva-me a mim.
e laivos de raiva silenciosa,
faminta, devoradora!
A tua voz sulca-me a carne,
em rasgos de ferida calada,
silenciada,
jogada ao fundo da garganta
num nó de revolta.
O teu olhar...
queimam-se-me as mãos
por tentar arrancá-lo de mim...
...atiro-as ao chão,
vezes e vezes sem conta,
agrido-as;
tento fazer desaparecer a dor...
e a terra solta-me a pele
que te tocou ao coração.
Debato-me e arrasto-me,
ser irascível... quase animal!
Tu, que me quiseste mal...
meu Deus...
liberta-me.
Perdoa-me.
e leva-me...
a dor, o sofrimento... e a mim!
Leva-me a mim.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Nostalgia
Conhecemos pessoas, sítios e momentos
e dispersamo-nos pela vastidão do pensar...
Ambicionamos todos nós a terra e o mar,
e todos os dias nos deparamos com o negro
e tememos.
A ti, Grandioso, eu te prego,
que me permitas viver sempre nesta felicidade
porque esta vida, decerto, me há-de
trazer agruras e obstáculos a esquecer:
ultrapassando-os e vencendo-nos a nós mesmos.
Vivo, nostálgica, dentro de um sorriso puro
porque sei que neste instante me és tudo
e prometo-me a mim mesma guardar bem este segredo
porque se não vives tu a medo...
bem sei eu que temo, contudo.
e dispersamo-nos pela vastidão do pensar...
Ambicionamos todos nós a terra e o mar,
e todos os dias nos deparamos com o negro
e tememos.
A ti, Grandioso, eu te prego,
que me permitas viver sempre nesta felicidade
porque esta vida, decerto, me há-de
trazer agruras e obstáculos a esquecer:
ultrapassando-os e vencendo-nos a nós mesmos.
Vivo, nostálgica, dentro de um sorriso puro
porque sei que neste instante me és tudo
e prometo-me a mim mesma guardar bem este segredo
porque se não vives tu a medo...
bem sei eu que temo, contudo.
Serra e mar
Céu verdejante em doce marejar...
cumpres-me no te contemplar
e emudeces-me,
elevando-me,
à terra onde pertenço.
Percorrendo caminhos e sonhos
encontro-me e descubro-te
na palma das minhas mãos abertas
para que não percas
a magia de existir
nos milagres de alegria que componho
a passo e passo, calcorreando
a minha própria vida
nos teus trilhos sinuosos.
O doce clarear ditado pela lua -
essa noite que na tua
vida se deixa cair -
preenche-me o paladar de um sabor a liberdade.
E é a saudade,
que tenho ao te ver,
que me arrasta às raízes a que pertenço.
Sinto a tua aragem
como natural incenso
que penetra as narinas
e me enche o peito
num sonho desfeito
de mim...
tua filha, Terra,
que te perdi.
cumpres-me no te contemplar
e emudeces-me,
elevando-me,
à terra onde pertenço.
Percorrendo caminhos e sonhos
encontro-me e descubro-te
na palma das minhas mãos abertas
para que não percas
a magia de existir
nos milagres de alegria que componho
a passo e passo, calcorreando
a minha própria vida
nos teus trilhos sinuosos.
O doce clarear ditado pela lua -
essa noite que na tua
vida se deixa cair -
preenche-me o paladar de um sabor a liberdade.
E é a saudade,
que tenho ao te ver,
que me arrasta às raízes a que pertenço.
Sinto a tua aragem
como natural incenso
que penetra as narinas
e me enche o peito
num sonho desfeito
de mim...
tua filha, Terra,
que te perdi.
segunda-feira, 7 de março de 2011
Hoje (segundo)
É-nos vedado o conhecimento de nós próprios...
São-nos tapados os olhos e caminhamos no escuro
por quem não somos...
jogamos um jogo de crianças
sem regras, ditado por adultos
e revemo-nos a nós próprios,
despidos, com a vergonha de existirmos.
Balbuciamos qualquer coisa e choramo-nos...
Ansiamos pelo abraço desfeito
e morremos.
Nunca vivemos decerto.
São-nos tapados os olhos e caminhamos no escuro
por quem não somos...
jogamos um jogo de crianças
sem regras, ditado por adultos
e revemo-nos a nós próprios,
despidos, com a vergonha de existirmos.
Balbuciamos qualquer coisa e choramo-nos...
Ansiamos pelo abraço desfeito
e morremos.
Nunca vivemos decerto.
sábado, 5 de março de 2011
Abismo existencial
Abismo existencial;
fosso de luz, de lembranças,
do que é bem e nos faz mal;
queda sentimental...
retorno vociferante,
que me grita, inconstante,
dentro de mim,
sem sentido...
mexo-me e dou voltas...
torno e padeço
do que me desperta...
e não adormeço.
Hoje e amanhã, como ontem e sempre...
sofro.
Coitada, eu, calo.
Vitima, eu, mato.
Inconstante, eu...peço
e exijo certezas...
Mas, as minhas fraquezas
são a minha subsistência.
E nela eu me nutro e alimento
sem que dela tire sustento
à fome que tu mereças
que exista em mim.
E,eu,
existo enfim.
fosso de luz, de lembranças,
do que é bem e nos faz mal;
queda sentimental...
retorno vociferante,
que me grita, inconstante,
dentro de mim,
sem sentido...
mexo-me e dou voltas...
torno e padeço
do que me desperta...
e não adormeço.
Hoje e amanhã, como ontem e sempre...
sofro.
Coitada, eu, calo.
Vitima, eu, mato.
Inconstante, eu...peço
e exijo certezas...
Mas, as minhas fraquezas
são a minha subsistência.
E nela eu me nutro e alimento
sem que dela tire sustento
à fome que tu mereças
que exista em mim.
E,eu,
existo enfim.
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