domingo, 3 de julho de 2011

Através da janela

Chove...
a janela rebrilha pelo som da chuva
e escorre pelo vidro em gotas de água
perdidas e esquecidas por uma
nuvem só... de perdão e de mágoa.

Choro...
encosto-me ao peitoral da janela
sob a luz ténue da lua...
que como espelho zela
pela vazia estrada,
pela deserta rua...
onde já ninguém passa.

Pelo menos ninguém que ousasse querer ver.

Voar pelas palavras

Desejo um dia chegar mais longe.
Longe das correntes inibidoras,
longe de pessoas e mundos
e criar os meus conceitos!

Quero viver, porque não sou ninguém...
Não me deixam ser!

Numa rima pobre, numa métrica solta,
solto o grito de quem não pode
pois pode ser pouca
a sua coragem de saltar
desse rumo e aprender a voar.

Porque lhe cortam as asas,
porque lhe tiram o ar
e porque desaparecem
fazendo magoar
quem um dia podia chegar
a alcançar o seu melhor sonho,
nunca tornado realidade
de uma esperança
desprovida já de alguém que a faça viver...

Tudo

Sentes que já não existes
para os outros...

Os que estão em teu redor sentem
ninguém mais.

Sentes-te só, afinal.
Cais, giras, gritas, sentindo
o vazio do desamparo das profundezas do abismo
e não sentes o fim da queda...
e não sentes o fim da vida...
e não sentes o fim da dor.

Tudo é efémero,
tudo é vazio,
tudo é energúmeno
para ti.

Tudo são os outros
e os outros não te existem.

Tudo é nada.

Sabes?

...Sabes o que é
Não ter um ombro para chorar?

...Sabes o que é
não ter alguém mais forte que tu, para te confortar?

...Sabes o que é
A solidão entre os indiferentes?

Consegues sequer imaginar?
Consegues talvez fazer figurar,
na tua mente, o que te rodeia
e te faz sentir abstraído de todos?

Sabes? Ou não imaginas?

Tu, que estás só, não sabes...
vives, porque é o meio de alcançares
o outro extremo... a tua salvação.

Por isso imaginas.
Sonhas chamar a atenção de ti próprio.