terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Acordar

Quero que acordes e saias à rua com um brilho nos olhos especial... o brilho de quem reconhece que este é só mais um dia...

Mas mais um dia que vale a pena aproveitar: aproveitar o primeiro raio de sol, tímido, que te toca a cara; aproveitar cada calafrio que a aragem da manhã te trouxer; aproveitar cada aroma vindo da rua, aromas do campo, da cidade e da vida.
Hoje é só mais um dia, mas é um dia inserido num ciclo, o qual se insere na tua vida... e, nesta, mandas tu!
Por isso, este dia, vai ser mais um dia em que vais poder olhar em frente, sorrir e ultrapassar os obstáculos com a esperança de amanhã ser melhor.
Porque o que hoje é mau, amanhã já não existirá.
Porque o que ontem foi bom, amanhã será parte do que és: porque a esperança existe, em ti.

O dia hoje pode ser apenas mais um vulgar dia, mas vai ser bom. Porque és tu que decides.


Especial inspiração: obrigada por existires.

Erra, Mundo Encantado

Tu quiseste matar o Mundo Encantado.

...porque para ti
foi um sonho, uma ilusão que me foi apresentada sob juramento de sangue em cláusulas omitidas.
Tudo foi o criar um Mundo Encantado de conveniências parciais e controlos psicológicos desenfreados de aceitação quase por osmose. Foi parte da vida comum a dois em que só parte é que o fez sua própria existência e o aceitou, vivendo-o.

É o atingir... é o querer deslumbrar a sua culpa na atribuição e na culpa do outro; é o procurar pequenas coisas no outro para justificar o seu próprio grande erro.
É o querer, como sua, a Verdade, mesmo que falsa. Para que o outro, aos olhos de ambos, pareça apenas ser Mentira.

É querer ter a desculpa ideal e fazer tudo para que o outro a conceda, para também ele ser parte criadora do final.

É o orgulho de não aceitar que se erra, para poder apontar o dedo ao outro, quando o levamos a errar.



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Inflamar


Inflama-se o amor
de desejo e vontades
que a tua vontade não me explica.

Inflama-se o ego e a voz
de quem chama quem deseja
e de quem ama inexplicavelmente...



Sente-se a pena inflamada
de feroz
escrita desenfreada...

Rasga o branco de feridas negras e articuladas
pela tua mão, hábil, veloz
e inscreve a chama à imortalidade
do teu texto poético.

Torce-se o peito em labaredas
que voam ao encontro
de quem ateia o fogo
no coração do amante...
e inflama-se.

Inflama-se a pó quem ama.
Inflama-se a cinza quem teme
E queima num instante a alma
desta voz muda que te expele
com garras tenazes que te seguram...

Gritos de raiva abandonada
a beijar a mão de quem
ateia o fogo e me escreve
à imortalidade de uma fogueira acesa
e inflamada
por ti.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Contratempo

Falas em contratempo
e o que dizes, leva-me o vento
porque quando me falas ao ser
abandono tudo por te ver,
para te olhar,
para te sofrer
no gozo
de te gostar.

Falas ao firmamento.
Roubas-me o meu tempo,
atenção, concentração...
E sorris-me à vida,
assim como sorrio para ti,
tal como assim que senti
que um dia te iria sonhar.

Falas em tons de azul,
perdes-me entre o Norte e o Sul
dos caminhos que me levas a percorrer.
E, ao te ter,
perto... em mim...
Sonho que vivi
na boca do teu falar.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cruza o teu ódio em mim

O ser humano centra-se nele próprio!
Tu, Ser-humano, cruza o teu ódio em mim!

Porque o ser humano não é nem deixa de ser!

O ser humano não vê para além de si próprio e dos ciclos em que vive. O ser humano julga. O ser humano teme por ser julgado. O ser humano avalia pelos seus olhos.
O ser humano erra.

O ser humano vive em virtualismos de cegueira que o levam à desgraça.
O ser humano destrói o que não controla porque se sente descontrolado na sua destruição.

Eu é que não tenho que abdicar da minha coexistência com o Mundo pelo Ser-humano que não encara os meus prismas e não os aceita. Porém, um dia, ele mesmo me levará a ser como ele...: ser humana!
O ser humano detesta-me e só quer encontrar uma razão para me deitar por terra e levar os seus exércitos a cavalgar por cima do meu pó, pisando o meu sangue lamacento e levando partes de mim nas entranhas da sua raiva.

O ser humano odeia e mata e não admite. Mas eu morro com a minha razão.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Hoje

Hoje vivo no Passado. Quem em mim existe, foi o que me atormenta.

Todos os dias... sempre que chego a casa, estou perdida de mim.

Deixaste-me vazia e não consigo mais existir.

Sou mecanicamente a pessoa que conheceste ... sou inultimente o vazio que deixaste.
Volta, e volta a trazer-me o que me levaste.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A ti


Escrevo para ti
E nada flui no que escrevo.

Atraiçoa-me o pensamento exacerbando o que não consigo expressar.

Não te consigo escrever,
Pois és mais que o significante que me flutua
Neste turbilhão.

Lembro-te…
Solta-se o meu olhar em ti.
E solto-me ao vento assim
Que te sinto por perto.
Que te sinto a aquecer-me o peito
Num sentimento desconjuntado …
Quero-te aqui
Mas não sei ao certo
Se estarás a meu lado…
Mas sei que existes em mim.

Tempo

Ouço os soluçares de povos, tempos, nações, guerreiros. Choram, silenciosamente, as mulheres que travam as lágrimas dos filhos gritantes que as agarram em desespero... vê-se pais, maridos, irmãos, filhos sair e partir para a terra que não existe, por força de uma nação persistentemente incansável, insaciável e sedenta de mais...


Revejo-me nas lutas e Impérios, nas batalhas e feridos.

Eu Sou arma, sou guerra, sou a lança, sou o ser-humano... sou o tempo que passou.

Vivo em mercados, trocas, crises e artigos... vivo em viagem, percorro o mundo e aprendo. Batalho e rendo-me, luto e honro-me.

Crio países, lanço tradições e sou Arte.
Nasço, Renasço.


Pintam-me em escultura do que foi o Homem.

Tic...Tac...
Tic... Tac...
Tic...Tac...  

Tac...

Tac...

Tac...



...tac...

Cessa a máquina... cessam as válvulas impulsionadoras da força e vigor...

...tac...

cessam os momentos, as histórias, os diários de viagem...
Cessa a Humanidade por si própria...

e cesso.


sábado, 4 de dezembro de 2010

Já só memórias

Os raios de sol dançam vagarosamente por entre as folhas de verde claro, acastanhando-as até ao solo. A brisa fá-las balançar melodicamente até ti, que estendes as mãos na minha direcção. 
...E deixas passar as folhas por entre os dedos: acariciam-te a pele branca e fria das tuas mãos e caem leves a teus pés.

Sentes o calor do Outono que te faz cerrar os olhos com o vigor de um calmo desejo do aroma de castanhas, de vento, das chuvas e dos jardins em tom pastel.
Sorris.
Abres os olhos. Sorris-me.

E eu sorrio-te em troca.
E saio para longe com a lembrança do teu abraço.
Com a lembrança do teu olhar; com a lembrança do teu sorriso.

Vou e levo nas minhas mãos as folhas que tocaram as tuas. 

Vou e levo com elas o pouco de ti que me restou.