quarta-feira, 27 de abril de 2011

Primavera

Sinto o silêncio primaveril
dos pássaros
matinais a florescer no
sol tímido das serras.

Doce campo que me levantas
inebriando-me pela Sonho
do meu dormir de encanto...
por ti e por tudo.

Te louvo e rejubilo
Que bom.
Que bom...
sonhar por te viver dentro de mim.

Nasce prematuramente como
suave fita de seda dourada a percorrer
o breve vale das montanhas,
alimentas pássaros de
penas frescas e alegres por ti se banharem,
em brisa e sol.

Nascente que tornará rio
Num rio que tornará mar, ao longe...

Nascente de vida e do campo e dos pássaros
e de ti... (sonho do meu viver)...

Tu, que és a terra que me faz renascer.


Loivos, 31 de Março de 2005

sexta-feira, 22 de abril de 2011

saudades


amor...
quero parar-te as lágrimas, guardá-las comigo


não chores agora
que assim perde-las e já eu não poderei fazer nada
 
devolve-me a respiração...por favor
não há um momento do meu respirar em que não pense em ti

não aguento
é demasiado forte

... tenho saudades tuas!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Capicua de Sentimentos

Olho para a frente e revejo o início…
Caminho até o princípio e encontro-me no término…
Penso em ti e no que te é característico:
Vejo-nos, sem rumo, em busca do Solstício.

Quando tu, em beleza e calma misteriosas,
Te assemelhas ao semblante eterno de pétalas
Tornas flores, plantas, natureza em efémeras
Cores de branco e preto…: nas cinzas das coisas…

Fecho os olhos…
Passo os dedos, levemente, pela memória.
Tenho sonhos
E viajo, pobre vagabunda sem história.

Gosto, admiro e amo-te,
Ouço, tolero e clamo-te,
Sonho, inebrio e embriago-me
De ti, e sinto-me viva.
Estou detida
No teu olhar!

Tens olhos tristes, misteriosos mas bonitos…
São labirintos de que sorvo orientação;
São espelhos do que me diz o coração;
São o meu pavor, medo e gritos…

Capicuo-me…
Multiplico-me por zero!
Escolho, na vida, ideais
Que me levam aos finais
De milagres e memórias
E ao começo de glórias…
Numa realidade infindável…

Amo-te, sem sentido ou direcção:
Vejo-te e observo como te sinto
De forma impregnada no coração…

Que me dominas, como se tinto…
Que me dominas, como se narcótico…
Que me dominas, como se vício…

Porque me dominas, respeito o ilógico
De um fim sem início
No atravessar estes momentos,
Em capicua de sentimentos…

Imprimi a tua aura

Imprimi a tua aura…
Decorei-a e fui expor
Na vitrina da minha alma
Até a saber de cor…
Até a decorar,
Até a inovar
Em mim.

Decalquei a tua fala,
Imitei-a e fui viver
No mundo do meu ser
Que vive à sua própria escala;
Que vive fechado na sala,
Que não vive sem a tala
De uma vida que a suporte…

Pintei o teu sorrir:
Gargalhei e fui beber
Na vontade de fugir,
Sem que me voltes a ver
Sem que torne a sofrer
Sem que torne a escrever
Poemas livres de ti.

Rasguei a tua imagem,
Peguei-lhe e a fui deixar
Nos despojos da miragem
Impressa com coragem
Impressa sem viragem
Impressa na viagem
Até o teu corpo

Que vejo, quero e roubo
E onde fui, vi e mandei

Imprimir a tua aura…

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A prisão

Sou prisioneira
do raiar
que me prende
ao brilho dos teus olhos...

Estou detida
pelo teu falar
que se rende
aos meus beijos

e amarra-se-me a voz
ao peito
para te chamar
num sussurro de desespero,
enquanto eu espero,
que me venhas salvar.

Vivo na tua prisão,
feliz por te amar.