segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Boneca de Trapo

Em tempos...
tive uma boneca de trapo.

De tranças, de melancolia, de esperança, de sardas e sorriso intenso, doce e ingénuo.
Em tempos, brinquei com essa boneca de trapos.
Mas eu cresci.

Tornei-me mulher sem me aperceber.
E a boneca ficou, foi ficando... lá.

O vestido de cores petizes, engraçadas, ternas...empalideceu, ganhou pó e tempo a mais no uso.

A minha boneca de trapo... esquecida.
A boneca que me olha, ainda sardenta, sorridente e criança, não me julga.
Mas eu cresci e abandonei.

No entanto, não, não me julga.
A minha boneca de trapo não mudou, eu sim.

Ainda hoje a tenho.
Já não me pertence.
Ficou no passado e não a incentivei a me acompanhar.
Julgo-me eu a mim própria por o não ter feito. Mas já não a tenho.

A sorridente sardenta, lá está... na prateleira.

Está comigo, mas não a tenho... porque a esqueci.

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