Em tempos...
tive uma boneca de trapo.
De tranças, de melancolia, de esperança, de sardas e sorriso intenso, doce e ingénuo.
Em tempos, brinquei com essa boneca de trapos.
Mas eu cresci.
Tornei-me mulher sem me aperceber.
E a boneca ficou, foi ficando... lá.
O vestido de cores petizes, engraçadas, ternas...empalideceu, ganhou pó e tempo a mais no uso.
A minha boneca de trapo... esquecida.
A boneca que me olha, ainda sardenta, sorridente e criança, não me julga.
Mas eu cresci e abandonei.
No entanto, não, não me julga.
A minha boneca de trapo não mudou, eu sim.
Ainda hoje a tenho.
Já não me pertence.
Ficou no passado e não a incentivei a me acompanhar.
Julgo-me eu a mim própria por o não ter feito. Mas já não a tenho.
A sorridente sardenta, lá está... na prateleira.
Está comigo, mas não a tenho... porque a esqueci.
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