quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Inflamar
Inflama-se o amor
de desejo e vontades
que a tua vontade não me explica.
Inflama-se o ego e a voz
de quem chama quem deseja
e de quem ama inexplicavelmente...
Sente-se a pena inflamada
de feroz
escrita desenfreada...
Rasga o branco de feridas negras e articuladas
pela tua mão, hábil, veloz
e inscreve a chama à imortalidade
do teu texto poético.
Torce-se o peito em labaredas
que voam ao encontro
de quem ateia o fogo
no coração do amante...
e inflama-se.
Inflama-se a pó quem ama.
Inflama-se a cinza quem teme
E queima num instante a alma
desta voz muda que te expele
com garras tenazes que te seguram...
Gritos de raiva abandonada
a beijar a mão de quem
ateia o fogo e me escreve
à imortalidade de uma fogueira acesa
e inflamada
por ti.
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