O vento gélido corta-nos a voz.
Soamos, fracamente, a medo eminente.
A água grossa e pesada deixa-nos a alma encharcada de choro e desamparo.
Somos humanos na nossa imensidão de inexistência e falhamos na nossa ambição de pequenez.
Quem queremos ser, matamos e quem negámos ontem, hoje, copiamos até ao mais insólito detalhe.
Sabemos o que queremos, mas dispersamo-nos nas agruras de um pensamento disforme e auto-afirmado como salvação.
Sopro de vida que acaba com o som do mar.
Ser que vive e morre sem nunca se perceber a amar.
Solta anda a vontade de respirar,
numa cadeia de desilusões, críticas e decepções que nos sufocam e abafam até a respiração se deixar transformar numa 'arete' perdida...
abandonada ao sopro de um vento quente de Verão.
Abandonada à eternidade errante de quem não tem onde pertencer.
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