Olho para a frente e revejo o início…
Caminho até o princípio e encontro-me no término…
Penso em ti e no que te é característico:
Vejo-nos, sem rumo, em busca do Solstício.
Quando tu, em beleza e calma misteriosas,
Te assemelhas ao semblante eterno de pétalas
Tornas flores, plantas, natureza em efémeras
Cores de branco e preto…: nas cinzas das coisas…
Fecho os olhos…
Passo os dedos, levemente, pela memória.
Tenho sonhos
E viajo, pobre vagabunda sem história.
Gosto, admiro e amo-te,
Ouço, tolero e clamo-te,
Sonho, inebrio e embriago-me
De ti, e sinto-me viva.
Estou detida
No teu olhar!
Tens olhos tristes, misteriosos mas bonitos…
São labirintos de que sorvo orientação;
São espelhos do que me diz o coração;
São o meu pavor, medo e gritos…
Capicuo-me…
Multiplico-me por zero!
Escolho, na vida, ideais
Que me levam aos finais
De milagres e memórias
E ao começo de glórias…
Numa realidade infindável…
Amo-te, sem sentido ou direcção:
Vejo-te e observo como te sinto
De forma impregnada no coração…
Que me dominas, como se tinto…
Que me dominas, como se narcótico…
Que me dominas, como se vício…
Porque me dominas, respeito o ilógico
De um fim sem início
No atravessar estes momentos,
Em capicua de sentimentos…
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