No espaço enorme,
entre os meus braços estendidos,
perde-se a saudade
do teu calor
e do tremor
que há-de
ser disforme
nos dias lidos
em cartas de amor
que te escrevo, e que recebo
sem sequer as ter selado.
Onde o desencanto eu vivo, no Fado,
quando sonho e pereço
porque te espero e te vejo.
Onde me refugio entre
trincheiras de guerra
para te deixar palavras de alento
e de esperança
que hão-de voar com o vento
até a tua lembrança
que mantenho na minha memória.
E escrevo a história
da ausência sabida e sofrida
num despertar a só...
num falar em que o tom
é apenas o meu...
a ecoar no teu coração distante
desta guerra,
em que abraço a terra
e me deixo cair...
como guerrilheira e mártir
que se deixa levar para
terras longínquas.
De joelhos sulcados do solo
quando fraca e faminta eu choro
pelas relíquias dos teus beijos.
Nula em número de gentes
que se batem por ideais desconhecidos
Sei que me sentes
à tua procura dentro de mim...
entre os tiros...
entre o sangue, o choro e o quase...
Mas sei que sempre -
no luzir do escuro de explosões
no céu da noite,
nos rumores de um só vulto -
esperas que tente
não te esquecer...
Mas, te garanto,
que enquanto viver
será por ti que eu
luto.
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