terça-feira, 26 de outubro de 2010

Escrevo, dactilografo e represento o mundo no papel.

Sou o escrito em tinta da china representativa do que sinto.

Aconteço-me e expresso-me ao mundo.
Tu lês-me, entendes-me e analisas-me abraçando o meu texto na tua memória e gravas na tua retina a minha imagem descrita.

Cai-te uma lágrima descrente de mim. Sofres-me em ti. Ambicionas pegar nesta folha de papel, amarrotá-la e jogá-la para qualquer cesto de papéis por que passes... mas a folha voa, afasta-se, renega-se a ir parar às tuas mãos avassaladoras e destrutivas...

Amas o texto, porém detestas o facto de se te representar em si próprio.
Amas o amares, porém detestas o facto de te existires em ti própria. E no papel.

Sou-te e vivo-te, imortalizando-nos no que escrevo.
Porque escrevo e amo. Amo o facto de amares, detestando.

Escrevo e, como escrevi o teu amor, não tiro ilações, conclusões.
Porque somos o que sentimos e é o que sinto que escrevo.

Assinado por um poeta

2 comentários:

mj disse...

ao expoente da consciencia, quando se nos rebenta pelos dedos, pode dar nisto.. :) sente-te...e continua a escrever.

ArtRock disse...

« Tu lês-me, entendes-me e analisas-me abraçando o meu texto na tua memória e gravas na tua retina a minha imagem descrita.» Não te posso dar a certeza que te entendo, uma vez que há sempre várias perspectivas para uma mesma situação, e tu, por vezes, podes levar-me por caminhos por onde nem te deste conta que me conduzias. Contudo, posso assegurar-te que o resto acontece mesmo, e que é como descreveste.