Escrevo, dactilografo e represento o mundo no papel.
Sou o escrito em tinta da china representativa do que sinto.
Aconteço-me e expresso-me ao mundo.
Tu lês-me, entendes-me e analisas-me abraçando o meu texto na tua memória e gravas na tua retina a minha imagem descrita.
Cai-te uma lágrima descrente de mim. Sofres-me em ti. Ambicionas pegar nesta folha de papel, amarrotá-la e jogá-la para qualquer cesto de papéis por que passes... mas a folha voa, afasta-se, renega-se a ir parar às tuas mãos avassaladoras e destrutivas...
Amas o texto, porém detestas o facto de se te representar em si próprio.
Amas o amares, porém detestas o facto de te existires em ti própria. E no papel.
Sou-te e vivo-te, imortalizando-nos no que escrevo.
Porque escrevo e amo. Amo o facto de amares, detestando.
Escrevo e, como escrevi o teu amor, não tiro ilações, conclusões.
Porque somos o que sentimos e é o que sinto que escrevo.
Assinado por um poeta
2 comentários:
ao expoente da consciencia, quando se nos rebenta pelos dedos, pode dar nisto.. :) sente-te...e continua a escrever.
« Tu lês-me, entendes-me e analisas-me abraçando o meu texto na tua memória e gravas na tua retina a minha imagem descrita.» Não te posso dar a certeza que te entendo, uma vez que há sempre várias perspectivas para uma mesma situação, e tu, por vezes, podes levar-me por caminhos por onde nem te deste conta que me conduzias. Contudo, posso assegurar-te que o resto acontece mesmo, e que é como descreveste.
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