Mais um dia.
Enche-se o ser de alegria, mas a alma entristece.
A energia característica ao matinal desvanece-se em pensamentos.
Mecanicamente, como todos e sempre, salta-se da cama com um rasgo de tédio e sôfrego vagar que absorve o sorriso num gesticular habitual da pressa rotineira.
O ser humano nao pensa... acorda.
O ser humano nao acorda, sonha.
O ser humano leva uma vida desviada de si próprio e nao vive, sobrevive - a si, aos outros e aos ciclos em que é inserido por mão do destino que, de tão gasto, perde o seu toque de midas.
Ao sair de casa, a chuva parece apenas mais chuva e deslava os pensamentos regulares.
O ser-humano está preparado para se reviver.
Esta manhã será outra vez ele próprio... e amanhã não se há-de aperceber que existiu.
1 comentário:
Concordo a 200% com o texto. No entanto, acredito em que haja vezes em que somos mais que humanos e que a nossa felicidade aguça de tal forma o mundo, que passamos a existir, mesmo não passando de um número de entre biliões de outros seres humanos. Nem é necessário que nos aconteça mais do que banais coisas, mas têm que ser importantes e a todas elas se deve dar o merecido valor.
Não devemos dar somente valor ao que já perdemos. Por isso devemos ir pela perspectiva, não do estar uma hora à espera de alguém, a perder o nosso tempo, mas optar por marcar a diferença e passar os 60 minutos connosco próprios, aproveitando cada segundo e tornando-o irrepetível, já que o mesmo não se irá viver novamente – pelo menos não naquele dia, não naquela hora, não naquele minuto que já foi vivido. Podes até ser número para uns, mas tens que te tornar alguém para ti mesmo, numa tentativa de que “a ideia pegue” noutro indivíduo, sendo que se te convenceres a ti, por certo que convencerás mais pessoas e passarás a ser mais do que humana, e viverás em vez de te limitares à sobrevivência.
Há sempre a comparação máquinas e homens, e eu concordo com ela, de um modo geral, mas gosto de acreditar que alguns são mais que isso.
Enviar um comentário