Abstractos, todos nós, vivemos conscientes num mundo em que a consciência não é real.
Então, sob Outonos e estações irregulares, impróprias e oblíquas esquecemo-Nos num desfasamento entre a noção de espaço e tempo e pisamos um chão que nos suporta em poderosa opressão à verticalidade gravitacional... não sabendo quem ou o que somos.
Por vezes, raramente, embatemos contra outro alguém que, na sua abstracção também por nós não dera conta... e é nessas fracções de microssegundos sequenciais que nos apercebemos de uma ou mais hipotéticas existências, tão cruciais e sofridas quanto a nossa. Porém, logo que culmina o embate, arrasta-se connosco uma sombra que nos passa despercebida, em memória do que é apenas uma dor sob a forma de um hematoma existencial.
Embatemos... todavia descartamo-nos de qualquer responsabilidade emocional.
Preferimos sofrer... para não ter que sofrer. E largamos toda a razão em prol de uma suposta existência feliz ou menos desagradável... que não passa de um caminhar em abstracto. E é, portanto, em abstracto que ficamos AQUI.
Tudo o que vemos ou sentimos é remisturado dentro de nós sob o tempero de outros alguéns sob os quais analisamos todos os que depois poderão surgir...o que geralmente acaba por ser erróneo.
Só podemos ter como certo e como nosso o que agarramos e o que, mesmo arrancando de nós sofrimento e lágrimas de sangue, em amor, não afastamos e preservamos paralelamente à nossa existência, nesta verticalidade que todos nós sofremos.
Eu permiti-te.
Eu permito-te.
Eu fiz minha a tua queda gravitacional, trazendo ambas (a minha e a tua) verticalidades para o meu peito.
Contudo, as facas, tu guarda-las e não as deixaste tombar... mas, quero que saibas, essas facas não são minhas.
E eu, curvando-me por sofrer o meu verticalismo, vivo em Vocativo, declinando todos os meus casos por manter o teu nome.
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