Fecho os olhos, despeço-me do Mundo, da realidade e, assim, da vida… deixo-me levar, sonhando e transpondo a trémule e enevoada barreira entre a realidade e a fantasia. Relembro sonhos de criança, projectos de adulto e a indiferença da juventude. Numa confusão de cores, os sentidos desorientam-se, entre sombras, luzes e sons variados mas belos, constituindo uma melodia nostálgica que, ao transtornar-nos, nos leva para um outro Mundo, um outro lugar, racionalmente indescritível, algures na mente capacitada para a análise desta diferente forma de viver: dormindo.
Numa ambiguidade de respostas exactas, esta transposição de um universo confuso e energúmeno oferece-nos todas as chaves e combinações para abrir o infinito conjunto de portais da nossa imaginação…
Acordo, olho pela janela…”é Natal!” Ansiando por ver tudo (montras e lojas, prendas e amigos), levanto-me e corro mas, chegando à rua, desiludindo-me, entro num Mundo totalmente desconhecido: a confusão de cores, sons e luzes fazia-me lembrar o Mundo belo de onde acabara de sair e que julgava só meu, mas havia algo mais, algo que tornou aquele momento pérfido, fazendo sentir um ambiente exacerbadamente pesado, controlando cada um dos meus passos, exercendo pressão sobre mim. Não, não foi este o Mundo do meu sonho…lá era tudo tão diferente…Não, também não pode ser a realidade de que eu já me havia esquecido…!
Pois não! As luzes, sons e cores são apenas alguns pontos coincidentes, coincidências, superficiais tangências, que me revoltaram naquele preciso momento! No meu Mundo de fantasia reinava o amor, a paz… enquanto eu sonhava por o manter, não ansiando por nada mais. Neste (na realidade), como que desejando e lutando por um Mundo melhor, não conseguiria ver nada mais que esta realidade cortante e fria, impedindo-me de sonhar! No entanto tudo é mais real, palpável, tocável…
Assim, por mais que tente que se faça luz no Mundo, não o conseguirei iluminar e, relembrando-me como teria sido bom viver num Mundo de sonho que jamais me traria por outrem o desgosto e a mágoa de me apagar tão brutal e solitariamente, fecho os olhos, despeço-me do Mundo, transpondo esta vital barreira entre a vida e a morte…
... e apago a luz do meu sonho.
Sem comentários:
Enviar um comentário