Gritos de dor
e laivos de raiva silenciosa,
faminta, devoradora!
A tua voz sulca-me a carne,
em rasgos de ferida calada,
silenciada,
jogada ao fundo da garganta
num nó de revolta.
O teu olhar...
queimam-se-me as mãos
por tentar arrancá-lo de mim...
...atiro-as ao chão,
vezes e vezes sem conta,
agrido-as;
tento fazer desaparecer a dor...
e a terra solta-me a pele
que te tocou ao coração.
Debato-me e arrasto-me,
ser irascível... quase animal!
Tu, que me quiseste mal...
meu Deus...
liberta-me.
Perdoa-me.
e leva-me...
a dor, o sofrimento... e a mim!
Leva-me a mim.

1 comentário:
O teu olhar...
queimam-se-me as mãos
por tentar arrancá-lo de mim...
adoro...
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