Cega-se a alma
de pudores e austeridade.
Rasga-se o seu olhar
sem piedade
nem pena
nem medo
do que se lhe possa advir!
Altera-se a empatia num rir
nervoso e perdido em alucinações
e prisões de correr desorientado.
Que, em nenhum lado,
encontra clareza
ou certeza
do que vê.
Cego, o que tem
maior visão e orgulho
e que da vergonha faz o luto
à humildade que não lhe convém.
Aquele que não tem
respeito por quem
luta por ver,
deixando-se perder,
vitorioso,
por entre as agruras de quem o cegou,
e com as suas palavras desfechou
o golpe final no bom coração puro...
que já não vive, contudo,
sossegado em si próprio.
Cega-te, negro demónio,
e cala o teu grunhir
e deixa de ser mártir
da causa que criaste
em teu próprio proveito e deleite.
Deixa que se te ceife
a psiche que não te pertence!
Que de cansaço se vence
quem de engano se vale à vitória desonrada.
Que, tu, não vales nada...
nem a cegueira que em ti se sente.
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