Matinalmente, exteriorizo-me
a mim e à minha consciência.
Eleva-se o odor de terra húmida
com tentáculos alpinistas
até os circuitos nervosos mais escondidos,
o que me faz reagir, fechar os olhos e inspirá-lo profundamente.
Jogo as mãos ao peito, olho em volta
e aprecio a clarosa desertidão que me rodeia:
as almas, se existentes, estarão em reunião
numa outra qualquer parte;
as máquinas, ruidosas, estarão mortas
pela noite que acabou de partir;
e os animais, esses, estarão escondidos
das trevas, prestes a prestar
a sua impercepção, alegre e inocentemente,
em passeios vespertinos e enérgicos.
Estou só.
E aproveito para devorar com os olhos
o que os restantes sentidos se limitam
a assimilar.
O verde da erva é mais verde.
O laranja dos céus é mais laranja
(todavia pincelado de um dourado radiante).
E o branco das paredes das casas é mais alto.
Contentada com a minha descoberta,
regresso.
E aproveito para me juntar a eles,
em uns gloriosos momentos finais
da sua ociosidade nocturna.
Deixo de estar só...
mas volto a ser comum.
E o branco das casas volta a ser como antes.
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